Trabalho em um lugar meio deserto. Na hora de ir embora, todos saem juntos para pegar o transporte e em menos de 10 minutos a muvuca que se aglomera nos pontos de ônibus desaparece.
Hoje o motorista do meu buzú resolveu passar por fora do ponto. Eu, imediatamente, peguei o ônibus que vinha logo atrás na esperança de alcançá-lo mais adiante. Peguei um tal de "Mirantes de Periperi". Mas rapaz... que barril!
Mirantes foi no rastro do meu buzú. E eu estava só esperando ele ultrapassar pra descer e pegar o bendito que me levaria pra casa. Foi colado no fundo do meu buzú, mas quando chegou no acesso para a Av. Paralela meu buzú pegou a pista e Mirantes de Periperi pegou o retorno. Não entendi nada, mas também não ia descer por ali porque já estava tudo deserto. Como lá quase não passa ônibus, resolvi ver qual caminho o Mirantes faria e descer em algum "lugar familiar".
Velho, esse tal de Mirantes seguiu por Sussuarana, passou nuns lugares que eu não conheço direito e subiu ladeira, e desceu ladeira... finalmente avistei um lugar conhecido: a Penitenciária (sei onde fica porque já fiz reportagem lá, mas não sei como sai de lá). A porra que ia descer ali, não eu. Fiquei na minha, fazendo cara de paisagem, na esperança de que esse ônibus passaria pela Estação Pirajá e nada.
De repente me vi na BR 324. E tome andar, tome andar... Eu pensei que ia chegar em Feira de Santana de tanto que esse ônibus andou na BR. Repentinamente, o ônibus pegou um retorno. Achei que finalmente ele tomaria o rumo pra Salvador, Av. San Martim... tudo certo. Certo porra nenhuma. Quando vi, a seta apontando o caminho para Salvador estava para um lado e Mirantes seguiu para o outro. Pensei em descer, mas era uma estrada, eu nem tinha noção de onde estava. Achei melhor esperar chegar na Av. Suburubana. Se estava escrito na plaquinha do ônibus que ele passava pela suburbana, eu não tinha com o quê me preocupar. Ou tinha?
Cara, vi placa que dava acesso à Base Naval de Aratu (pra mim isso era familiar, mas não chegava nunca), vi matagal dos dois lados da pista, carros abandonados, pontos de ônibus totalmente desertos... Casas? tsc tsc tsc.
De repente uma luz no fim do túnel, ou melhor, uma placa indicando "Acesso ao Hospital do Subúrbio". Fiquei de boa achando que passaria por lá. Hospital é hospital, ainda mais público. Sempre tem movimento, gente no ponto de ônibus e até taxi. Eu já estava calculando quanto seria uma corrida até minha casa (Se alguém aí souber onde fica esse tal desse hospital, me explique, porque eu não vi nada. Nem uma ambulânciazinha sequer).
O hospital não apareceu no meu caminho e eu fiquei apavorada. Parecia que eu estava andando meia noite em uma cidade desconhecida. Eu estava apavorada, mas fiquei o tempo todo fazendo cara de que morava logo ali, de que sabia onde estava pra não dar bandeira. Não tive coragem de perguntar a ninguém onde iríamos parar ou se tinha algum lugar seguro pra descer e pegar outro transporte, porque eu estava me cagando de medo.
O ônibus saiu da estradinha de matagal e entrou em uma localidade cheia de conjuntos habitacionais antigos e casas em construção. Uma galera desceu ali. Fiquei imaginando que já estava chegando em Mirantes de Periperi (e nada de Av. Suburbana). Resolvi ficar de pé e descer no primeiro lugar movimentado pra pegar qualquer ônibus voltando que me tirasse daquele lugar. Desci num lugar que aparentava ser um final de linha (que não era o de Mirantes de Periperi). Era deserto, mas tinha duas vendinhas cheias de motoristas e cobradores fazendo hora. Desci e fui acompanhando umas pessoas que caminhavam até o outro ponto (naquela manha de fazer de conta que estávamos todos juntos, saca?).
Você deve estar se perguntando por que diabos eu desci naquele lugar. Por quê não fiquei dentro do Mirantes e esperei ele voltar? Porque, meu caro leitor, esta linha só roda três vezes no dia: uma pela manhã, outra ao meio dia e outra ao anoitecer. E zé fini. Ou seja, ele poderia até chegar lá naquele reino tão tão distante chamado Mirantes de Periperi, mas certamente não voltaria.
Voltando ao suposto fim de linha de não sei onde (eu acho que era Vista Alegre), de repente um motorista entrou em um ônibus e acendeu as luzes. Eu entrei no buzú correndo que nem uma refugiada. Para minha felicidade, o ônibus iria para a Pituba, via Av. Barros Reis. Massa! Caminho de casa. Massa uma porra. Não sei em que encarnação ele passaria na Barros Reis. O Bendito voltou pela estradinha escura e cheia de matagal, seguiiiiiuuuuu pela BR 324 e se mandou pra Pituba. Quando me vi no largo do Retiro, me senti em casa. Desci, atravessei a rua e logo ali, no ponto de ônibus, um lindo "Ribeira, via Caminho de Areia" me aguardava, com várias cadeiras vazias para eu me sentar e me esparramar.
Que maravilha! Nunca imaginei que ficaria tão feliz com o engarrafamento da Av. San Martim. Algo tão cotidiano, né? Tão "familiar".
Enfim, achei o caminho de casa e aqui estou eu, sã e salva. Nunca mais na minha vida vou pegar esse tal de Mirantes de Periperi. Posso até pegar Paripe, Plataforma, Alto de Coutos, mas não quero conta com Mirantes de Periperi. Ô lugarzinho escondido danado.
2 comentários:
OMG!!!
Você é completamente maluca!!!
Porque não ligou pra um dos colegas e pediu pra ele parar o ônibus da frente?
Eu fiquei aqui na maior aflição... E olhe que vc conhece a cidade, viu?
Ainda bem que tudo não passou de "mais uma história pro blog" e você está sã e salva!!!
Beijo, e não faça mais isso!
Não tenho o telefone dos passageiros, oxe. Rapaz, foi um negócio que aconteceu pra dar errado mesmo.
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