27.11.09

Para descontrair

O Vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos a interpretação do seguinte trecho de poema de Camões:

Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer.

Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação:

Ah, Camões!, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
consultavas a Internet
e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo !


A dita vestibulanda ganhou nota DEZ, pela originalidade, pela estruturação dos versos, e rimas insinuantes. Mas esta foi a primeira vez, em mais de 500 anos, que alguém desconfiou que o problema de Camões era simplesmente falta de mulher.

(autor desconhecido)

26.11.09

24.11.09

O mar, as ondas,
a barra da saia arrastando na areia
e aquele cheiro de maresia.

A chuva traz a noite.
Me banho, durmo, acordo,
sigo.
O cheiro do mar me persegue.

Caminho pelas ruas
E o vento sopra em meus cabelos o cheiro de mar.
Minhas roupas cheiram
a mar.
(meus olhos enxergam os seus).

22.11.09

Conversando com algumas pessoas de Irará descobri que lá é terra de doido. To falando sério!

O primeiro que vi pensei que era bêbado. Estava dormindo na calçada ao lado da charanga que tocava umas musiquinhas. Não demorou muito ele levantou e começou a dançar e correr atrás do povo. Daí apareceu outra doida dançando, que me disseram que surtou depois que um promotor tomou a guarda do filho dela,o pegou para criar e sumiu no mundo. Ela não pode ver uma criança dando sopa na rua que pega e fica cuidando como se fosse o filho dela (tadinha). Teve um outro que ficou fazendo uns movimentos bem lentos atrás de Tom Zé enquanto gravávamos a entrevista com ele. Aí começou a me seguir na rua, descobriu o nome de minha irmã e começou a conversar com ela, pediu para que tirássemos uma foto dele e depois invocou que queria viver conosco. Vê se pode?

Tom Zé, na música Maria Bago Mole, cantou os nomes de alguns doidos de Irará. Não vou postar as fotos deles aqui, é claro. Desde terça que o slide show está me sacaneando e não consigo postar todas as imagens que quero e quando consigo não salva L, mas aí vão algumas imagens que fiz na região pra vocês conhecerem a terra dos meus avós.



20.11.09

Irará - Parte 3 (ladronas em ação)


Ah, finalmente o sábado. Dia de feira, de show e de gravar meu Vamos Nessa!

De manhã logo cedinho fomos à praça da matriz fazer mais imagens da gravação do documentário e de lá seguiríamos para a feira, mas a gravação lá foi cancelada.

Um colega desavisado foi logo queixando (novamente) a nossa entrevista para a produtora/esposa de Tom Zé, que comunicou a impossibilidade, justificando que tinha que preservar a voz dele para o show de logo mais e tals. Ele, tadinho, veio todo simpático botar aliviar nossa decepção, usando a mesma justificativa de forma mais branda, disse que nos concederia uma entrevista depois, bastava que entrássemos em contato com a produtora/esposa dele depois (aonde?!!!).

Bom, ficamos por ali, fazendo nossas imagens, comendo pelas beiradas e tals, até que a equipe do documentário deu uma pausa para montar os equipamentos do outro lado da praça. Foi nessa hora que Tom Zé veio correndo (meio escondido da produtora/esposa) e pediu que nós ligássemos a câmera. Gravamos uma espécie de bate-papo ali mesmo no meio da praça, debaixo do sol, somente com o microfone da câmera, depois plugamos o de mão e a entrevista saiu assim no improviso, meio escondido, meio correndo e acabou antes que os outros acabassem com a gente.

Tom Zé, além de muito gentil, é um cara ótimo para dar entrevistas, não deu para gravar como queríamos, nem fazer todas as perguntas que precisávamos para os 2 vídeos que produziríamos, mas ele desenvolveu tão bem as poucas respostas que pôde dar, que já dá pra fazer um bloco de entrevista legal.

Nem a gravação do Vamos Nessa, nem o show (maravilhoso), nem a maniçoba, nada teve sabor tão especial quanto aquela entrevista roubada. Passei o resto do dia me escondendo da produtora/mulher dele (que deve ter se retado conosco) e saí de Irará com fama de ladrona, mas muito feliz rsrsrsrs

19.11.09

Irará - Parte 2 (sexta-feira 13)


Sexta-feira 13, ótimo dia para dar tudo errado. O professor que iria entrevistar Tom Zé para o nosso programa Caleidoscópio não foi. Mas por isso eu já esperava. O carro que nos levaria até o local onde ele estava hospedado também não apareceu. As gravações pelas ruas da cidade com a galera que estava produzindo o documentário furou... o jeito foi ir agilizando o outro lado.

Nessa brincadeira de adiar aqui, agilizar ali, paletamos por Irará debaixo do sol quente a manhã toda. Depois fui pra rodoviária esperar minha irmã/produtora chegar. Fiquei lá até 14:30 h e ela simplesmente não apareceu. Como meu celular não funcionava lá, o dela estava na caixa e o rango bateu, resolvi ir almoçar. Mas justo na hora do meu almoço o carro apareceu para nos levar para gravar no distrito da Caroba. Não com Tom Zé (mais uma mudança de planos), mas sim com o pessoal da Pisadinha do Pé firme, que dança um samba de roda animado retado. Pena que não consigo carregar o vídeo agora.

Lá mesmo tracei uma galinha caipira (a fome é mesmo o melhor tempero) e segui para o cruzeiro, onde me disseram que dava para fazer uma imagem panorâmica da cidade. Mas a cidadezinha tava tããão longe, tãããão longe, que nem a lente da nossa câmera conseguiu fazer uma pan decente.

À noite, a Filarmônica 25 de Dezembro fez uma apresentação especial para Tom Zé e tocou “Renato de Dona Ceci”, música feita por ele especialmente para o show de Irará. Lá descobri que a banda atingiu o limite máximo de premiações concedidas às filarmônicas e ficou impedida de participar de competições. Descobri também que o maestro tem o mesmo sobrenome que o meu (deve ser parente). Não foi dessa vez que conseguimos entrevistar Tom Zé. A produtora/mulher dele apresentou um monte de justificativas etals, mas pelo menos tiramos fotos com ele e (na entoca) combinamos de nos encontrarmos no dia seguinte no mercado.

De lá seguimos para a Feira da Mandioca, onde estava rolando um show de samba de roda. Mas quando a roda abriu, só deu... Deixa pra lá, esta parte merece um post especial rsrsrsrs

18.11.09

Irará - Parte 1

Quinta-feira passada peguei a estrada rumo a Irará, cidadezinha aqui do interior da Bahia. A missão era: fazer o making off do documentário sobre Tom Zé produzido pela TVE, gravar o Vamos Nessa na Feira da Mandioca e entrevistar o artista. Como a viagem rendeu muitas histórias, vou contando aos poucos.

Sempre quis conhecer Irará, terra dos meus avós maternos. Sabia várias histórias de lá e sempre a imaginei como uma cidadezinha
pacata, mas ela é muito maior e mais animada.

Pra começo de conversa, a estrada de Feira de Santana para lá está ruim, mas da BR 324, cortando por Conceição de Maria, está pior ainda. Depois de comer muita poeira na estrada, chegamos, mas pessoal que deveria nos recepcionar para nos instalar na pousada e verificar transporte e alimentação não deu as caras. Então o jeito foi ir gravar logo umas imagens da cidade, almoçar por conta própria e depois resolver esses “detalhes”.

Logo de cara o pessoal já chegou me mandando esquecer o roteiro de gravação que nos fora enviado e nos nos instalaram numa outra pousada que não foi a combinada. Tipo um casarão antigo, sem seu charme preservado, sem banheiro nos cômodos, coisa simples... Mas pelo menos no meu quarto tinha até televisão! Não foi tããão ruim assim.

Nesse dia fizemos também entrevistas com o grupo folclórico Chegança, imagens de uma banda de fanfarra e da galera recepcionando Tom Zé, chegou para tocar durante a Feira da Mandioca e iria aproveitar essa estada para gravar o documentário e algumas entrevistas (inclusive comigo).

Percebi que em Irará tem muita gente doida. Não sei se é o sol forte que cozinha os miolos ou se é a manipoeira que sobra da mandioca que deixa o povo assim. Mas essa é uma outra história... que amanhã eu continuo.