Na Av. Paralela, sentido centro, tuuuudo parado. Só quem anda é a baratinha que vive no buzú.
Por mais que os engarrafamentos e a precariedade do transporte coletivo façam parte da nossa rotina, não conseguimos nos acostumar. Os momentos de devaneios, em que nos imaginamos chegando rapidamente em casa, tomando um banho gostoso e uma sopa quentinha, são constantes. Mas aí vem a baratinha e nos desperta do sonho.
Já pedi as contas de quantas viagens fizemos juntas nesse trajeto do trabalho pra casa. Todos já tentaram matá-la, mas ela é sempre mais rápida. Como um moleque pirracento, aperta a sirene do pavor, deixa todos empolvorosos, sai correndo e ninguém consegue pegá-lá.
Passa a viagem toda circulando da frente para o fundo do ônibus, como um candidato político que cumprimenta todos que encontra no caminho. Cutuca um ali, outro acolá e, impaciente, segue nesse vai e volta, vai e volta dezenas de vezes.
Ela também quer que viagem acabe logo para poder descansar.
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24.9.14
A baratinha
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