17.3.13



Passei uma temporada na capitania dirigindo o Teatro Municipal de Ilhéus e, como em todos os outros trabalhos, foi uma experiência maravilhosa. Da portaria às coxias, da produção à divulgação, eu me metia em tudo. Às vezes pela necessidade, às vezes pelo desejo de entender a lógica das coisas. E os colegas, sempre solícitos, me ensinaram bastante.

Muitos gostariam de um cargo daqueles, do status, de tirar fotos ao lado dos famosos... Eu só queria que as coisas funcionassem bem, para que a plateia pudesse sair de lá emocionada e os artistas realizados. Com o tempo percebi que de nada adiantava um bom texto, um elenco de primeira, sem uma equipe técnica envolvida de fato com a proposta do espetáculo e, seguindo essa lógica, os operários da cultura tornaram-se meus ídolos. Era o abraço deles, a dica, o comentário, que eu queria ao final de cada espetáculo.

Em Ilhéus eu sempre estava envolvida com algo dos bastidores e conto nos dedos os espetáculos que pude assistir na íntegra. Desde que retornei para Salvador, hoje foi a primeira vez que entrei em um teatro para assistir a um espetáculo teatral. Já tinha ido a eventos, shows musicais, mas espetáculo teatral não. Uma peça de teatro é diferente.

Quando o primeiro sinal tocou, comecei a imaginar o frenesi por trás do palco. Mas hoje eu era plateia. Sentei-me, vi as luzes baixarem, escutei atenta a ficha técnica e os agradecimentos e quando, enfim, o espetáculo começou, percebi que meu olhar já era outro. Fiquei atenta às marcações da iluminação cênica, à mobilidade do cenário no palco e ao som. 

Saí meia nostálgica, saudosa do cheirinho de carpete antigo do Teatro Municipal de Ilhéus, de ganhar pipoca na saída e ficar por aí batendo papo, comentando o que foi, o que poderia ser, atrasando minha volta pra casa. Mas aqui é cidade grande, seu moço. Aqui o espetáculo acaba quando as luzes são acesas.

Um comentário:

Bel disse...

Fiquei sem palavras pra falar sobre o tempo que vc passou na Capitania.. So posso dizer: ainda bem que era você, e não eu. Deus sabe o que faz!!!!
Quanto a ser "somente platéia"... Quem já esteve do outro lado, jamais será!
Te amo, e to com saudade, morrendo nesse frio chic de Paris...