10.11.12

... Ou Isso

"O olho vê, a memória revê e a imaginação transvê...É preciso transver o mundo" Manoel de Barros

Já na transmissão ao vivo para o jornal de meio dia, me emocionei. Imagine que ao som de “Doce de Côco”, dançarinos do Balé Teatro Castro Alves (BTCA) executaram uma deliciosa coreografia. “Doce de Côco”, minha música, foi covardia com esse pobre coração.

Foi uma semana complicada, a prefeitura arrochou de vez, os funcionários entraram em greve por falta de salário, o ar-condicionado funcionando com apenas 50% da capacidade me dizia a toda hora “vou parar de trabalhar também”, os racks de luz que substituiriam os já em desuso não chegavam e eu aqui com 32 pessoas do BTCA para organizar um espetáculo gratuito no Teatro Municipal de Ilhéus com a minha equipe de greve. Que cilada. Mas nunca é o fim, enquanto não for feliz.

A turma aqui trabalha por amor e, mesmo em greve, apoiou como pôde para que o espetáculo “... Ou Isso” acontecesse. A equipe do BTCA também... vou te dizer, viu? Uns fofos! E o espetáculo então? Música, dança, poesia, um belo cenário... dança, dança, dança... Uma delícia! Teve criança que levantou, começou a dançar, ia lá, vinha cá, me abraçava... Teve gente que saiu cantarolando, recitando poesia, suspirando... E eu? Eu saí realizada! Queria muito compartilhar isso com alguém. Sei que compartilhei com todos que estiveram presentes, mas queria mais. Queria compartilhar as músicas com Mário e depois sair encantada a comentar, queria que Raquel visse aquele cenário, queria que João tivesse idéias para seus roteiros, até com "uns e outros" eu queria compartilhar as poesias... Mas após fechar o teatro o que consegui foi encontrar os amigos no bar ao lado, que passaram o resto da noite me chamando de sinhazinha (risos) e cantando a música nova de Roberto Carlos (af!). Saudade do povo de lá.

Obrigada a todos que colaboraram para que este espetáculo acontecesse em Ilhéus. Obrigada a todos que vieram prestigiar mesmo com medo da greve e da chuva. Obrigada aos bailarinos por alimentarem nossas almas.






2 comentários:

Bel disse...

Eu vivi junto essa agonia toda... e vivi também o prazer do espetáculo. É aquilo mesmmo: "a dor e a delícia de ser o que é."
Beijo!

Raquel Maciel disse...

e eu queria que vc viesse pra Salvador logo pra viver poesia aqui perto da tgente. e sem essa música irritante de Robertos Carlos af!
amei o texto.